Mugabe

Por mais importantes e meritórios que sejam as pessoas e os actos por elas praticados no passado, isso não lhes deve dar um livre-conduto para tudo o que queiram fazer no futuro. As bênçãos, tal como os pecados não são eternos.
mugabe-robert9Mugabe foi uma benção que libertou uma nação e o seu povo, um revolucionário e o líder que teve resultados económicos, sociais e até políticos que nem sequer foram almejados por quaisquer outros líderes de nações. O seu povo viu-o, e com justiça, como um herói. Foi tudo isso.
Agora é o oposto. Quem tiver tido oportunidade de conviver com o Mugabe destes últimos anos, tê-lo-á achado amorfo e pouco dado a emoções visíveis. É verdade, o que antes foi chama e revolução, agora é ego, insanidade e incompetência.
Mugabe deixou-se apanhar pelos defeitos de todos os homens, mas neste caso trágico, Mugabe teve o poder e até o mérito de um líder inigualável.
Mugabe foi tudo isso e agora é menos do que execrável, mesmo para os que sabem que a corrupção, atrocidades e incontáveis erros do seu país não lhe serão devidos na totalidade, mesmo para os que, como eu, têm a certeza que Mugabe é um homem bom. Mugabe é também dos piores homens que conheci.
Como quase todos os ditadores, Mugabe não conseguiu planear a sua partida. Se é triste e trágico ver o que pode acontecer a um homem bom e com boas intenções, é muito mais quando esse homem tem poderes e reverência de deus para o seu povo.
Conheço Mugabe suficientemente bem para lhe ter genuíno afecto, mas isto seria se apenas levasse em conta minha convivência com ele. Mugabe, como tantos ditadores, é um homem afável, mas também é um decisor pragmático e com princípios dúbios e pouco firmes. Se a culpa a atribuir-lhe pelas atrocidades no seu país, pode ser mitigada, a responsabilidade é inegavelmente sua.
Mugabe nunca teve sucessores e, talvez por isso, foi adiando, sempre por mais algum tempo, a sua saída da vida política, para finalmente se poder dedicar a ser o homem pacato que sempre se julgou. O que não lhe ocorreu é que os que antes dele tinham o poder, pensavam exactamente da mesma maneira.

Boa sorte Mugabe!
Longa vida para ti sedutor e execrável líder!

Eh pá! A EPA foi “tomada”.

Agência para a Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) é a agência responsável pela proteção da saúde humana e meio ambiente nos Estados Unidos. O seu actual director, Scott Pruitt, foi nomeado pelo presidente Donald Trump no início deste ano. Quem é Scott Pruitt? Entre muitas outras coisas foi o procurador geral do Oklahoma, e nesta sua função liderou pelo menos 13 processos contra a agência que agora dirige. Se isto não fosse suficiente para levantar algumas sobrancelhas, há que lembrar que Pruitt “rejeita que as actividades humanas sejam um contributo primário para as alterações climáticas“, ou então basta ouvir as suas próprias palavras, nas quais se descrevia há pouco tempo como “um líder contra a agenda activista da EPA“.

DeforestationPay-altDeixar o lobo tomar conta do rebanho não parece boa ideia, mas enquanto política for sinónimo de dinheiro, o sucesso será medido em cifrões.

Há no entanto uma ressalva que queremos fazer acerca desta presidência dos Estados Unidos: Neste, como em muitos outros casos, o aparentemente acéfalo presidente Trump é desconcertantemente honesto ao dizer que a escolha de Pruitt significa o “fim da guerra ao carvão“.

Mas para os que acham que Trump tem mais maturidade mental do que um miúdo de 10 anos, é preciso esperar para ver se os cortes de 60% em multas e processos da EPA foram só coincidência, ou se o anúncio feito hoje sobre “deixar cair a Lei da Energia Limpa” será só para substituir por outra lei ainda melhor. O certo é que com gastos de perto de 75 milhões de dólares em armas por ano, a EPA está “equipada” para a luta contra o ambiente pelo ambiente! Não se pense que isto é já o novo director a desperdiçar recursos, nos últimos dez anos esta agência, criada pelo presidente Nixon, gastou mais de 92 milhões de dólares em mobília, mas também com cadeiras a custar mais 4 mil dólares, provavelmente partilham mesas, uma vez que “apenas” gastaram 6000 dólares por funcionário. A boa notícia é que a EPA está a diminuir o número de trabalhadores e portanto não serão necessárias tantas cadeiras.

Nada disto é estranho ou sequer novidade, mas convém lembrar que não é por se arranjar justificação que o errado passa a certo.

Já agora, espreite-se o artigo no Público por Clara Barata.