Partidos

Se fossemos todos menos inteligentes, talvez conseguíssemos viver com escolhas monocromáticas, por exemplo: Ter uma religião e, por isso, ser contra as outras. Ser de um clube e, por isso, ser contra os outros. Ter uma sexualidade e, por isso, ser contra as outras. As pessoas que são assim, são estúpidas!
InsertBrainNão tenho nada contra estúpidos, valorizo-os como quaisquer outros e, às vezes, até faço parte desse grupo, mas sem deixar de tentar sempre excluir-me.
Fazer das fraquezas força, não é o mesmo que ter orgulho nas fraquezas.
Percebo as simpatias clubísticas e até as picardias entre clubes, mas achar verdadeiramente que as pessoas de outro clube são diferentes só por isso… é estúpido.

Será preciso repetir tudo o que disse mudando “clubes” para “partidos”? Ou conseguiremos aprender com analogias?

 

 

Oposição

Sabem o que é que era giro?

Deixar de chamar oposição aos partidos que não estão no exercício de funções governativas.

A função dos partidos, ao contrário do que se pensa, não é estar no poder ou no oposto a este. A verdadeira e nobre função é a causa pública.
Para se defender o que se acha certo para o bem comum, é preciso muitas vezes concordar com outras ideias que não as nossas. Parece uma lapaliçada, mas basta olhar as propostas e votações do nosso parlamento para se ver que a origem da ideia é muitas vezes mais importante do que a sua validade própria.

Catalóis (ou Espanhães)

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Cristo na Sagrada Família

Alguma Catalunha não quer ser Espanha, quer ser só Catalunha.

Percebemos os que acham que não pode simplesmente deixar-se que as várias regiões com tendências independentistas se separem do resto do país. Isto abriria possibilidade à completa desagregação de Espanha em pelo menos 3 ou 4 estados diferentes.

Para descobrirmos uma solução teríamos que ir à origem da nação Espanha e até ao conceito de país. Não iremos. Ficamo-nos pelo início do ano quando este “referendo” começou a materializar-se, primeiro na mente de alguns e depois nos actos de   muitos independentistas.

Se estivermos nos sapatos de Espanha é impossível que permitamos que uma das suas regiões simplesmente deixe de o ser. Nenhum país no mundo prevê a possibilidade legal de perder parte do seu território.

Mas se nos colocarmos no lugar da Catalunha e considerarmos que  Espanha é um opressor que governa sem direito, então faz o mesmo sentido lutar pelo seu “país Catalão”.

Para alguns defensores das independências espanholas o seu sentimento é o mesmo que teriam os portugueses se de repente Portugal fosse anexado por Madrid.

Sabendo que as disputas territoriais acabam tendencialmente em guerra, há que arranjar uma solução que atenue a escalada de violência que se avizinharia se se mantivessem as actuais posições.

Mas apenas para constatação de factos não seria necessário este texto. Importa arranjar soluções.

A solução, como quase sempre, está no diálogo. O diálogo inicial, por parte do governo central espanhol, deveria ter sido no sentido de impedir o referendo, mas sempre diálogo, nunca ameaça, nem opressão. Do mesmo modo a região da Catalunha deveria ter dialogado no sentido de ter um referendo legal e validado pelo governo central.

Estando o referendo feito e tendo pífia validade legal, mas tremenda importância política, está na hora de lidar com o problema. Impedir pela força a realização de referendos, ou outras actividades independentistas além de ineficaz é extremamente perigoso e potencialmente antidemocrático.

Um político hábil disse que “os problemas sem solução, como este da Catalunha, são para se ir gerindo”. Não sabemos se é assim, mas se a solução é um dos dois “países” perder o seu território, então de facto não há solução, a não ser pela opressão, ou até supressão de um deles.

Nenhuma destas “soluções” é aceitável. Assim sendo ter-se-á que descobrir outra. Isto é o que todos os que se engajam nestas lutas deveriam almejar. O objectivo tem que ser a solução e não a vitória.

A solução que hoje aqui propomos é a única que vemos viável mas, não é por acharmos que esta solução é a melhor, que deixamos de ouvir quaisquer outras, ou sequer que tentamos destruir as outras. Tentamos melhorá-la, roubando até ideias das outras soluções, defendemo-la, mas não temos que eliminar as outras, mesmo que para isso tenhamos que combater milénios de instintos que dizem que se eliminarmos a concorrência teremos sucesso mais facilmente. É verdade, mas queremos a melhor solução e não simplesmente eliminar todas as outras até que a nossa seja a única e, por isso, a escolhida.

A solução seria dar aos independentistas exactamente aquilo que quereriam: Uma espécie de estado probatório, com um número de anos predefinido, ao fim dos quais voltariam ao estatuto anterior após referendo e concordância de ambas as partes (Espanha e Catalunha).

A verdade, ou talvez a esperança que acalentamos, é que se descobriria que não é assim tão diferente ser Espanhol e Catalão ou ser só o segundo. As relações comerciais, sociais e até económicas seriam muito semelhantes com Catalunha independente ou não.

Assim sendo o que propomos é que se deixe que o Catalães decidam, mas num referendo democrático e ratificável.

Admitindo que a decisão seria a independência, então depois seriam necessários vários anos para que a transição se fizesse com a necessária serenidade.

Como sempre, ajuda pensar nos cenários mais extremos:

– A Catalunha separa-se de Espanha e corta todas as relações (sim, também acho que isso é muito pouco provável). Neste caso Espanha perderia a Catalunha, mas a Catalunha perderia a Espanha e todos sabemos que não é a solidão que faz a força.

– Fica tudo como está. Isso seria o tal “gerir do problema”. De facto pode também ser hipótese, mas nunca usando a força física. A pressão de ambos os lados pode e deve ser feita, mas sempre de forma leal e através da discussão de argumentos. Espanha e Catalunha estarão para sempre colados geográfica e historicamente, portanto não faz sentido virarem-se costas sob pena de estreitarem radicalmente a visão e visibilidade que neste momento ainda possuem.

Basta olhar para os casos históricos de separação de países para ver que invariavelmente corre mal; veja-se a Alemanha ou a Coreia.

Veremos o que o futuro trará, mas saibamos que juntos somos melhores. Em último caso, somos todos iguais, espanhóis, chineses ou turcos, cavaleiros de cristo ou jihadistas, comunistas ou fascistas, tudo é feito da mesma amálgama de carne, estupidez e, acima de tudo, humanidade, que, entre outras coisas, é também sinónimo de união.