Clareou…

Ninguém gosta de escuridão, ninguém gosta de sombra. Todos queremos que o Sol brilhe sempre no nosso peito e alma, mas não é sempre assim. E como diz o outro, se não tivéssemos a escuridão, não saberíamos aproveitar a Luz.
Hoje o dia clareou um pouco mais o meu coração, depois de sombra ter estado muito presente na última semana. E está tudo bem… hoje!
Hoje não tem de ser igual a ontem, nem há garantias que amanhã será semelhante.
Olhar para trás dói, mas olhar para a frente parece ainda doer mais. Então, de alguma forma, tenho-me permitido vier na dor, sem saber viver aqui e agora.
Não estou curada, não sei se lá chegarei… mas hoje estou bem e consigo colocar em perspectiva a minha alma e aceitar as suas fases… tal como aceito as fases da Lua.
Tudo acontece por uma razão, e tudo está como deve ser. Se não me permito, não consigo viver.
Um dia permiti-me e sorri! E sorrio sempre que me lembro disso, porque se o consegui antes… vou fazê-lo outra vez.
Hoje permito-me…

Tempo de mudança

Já sabia que este iria ser um período de mudança. Quer fosse pela mudança de casa, quer pelo início da Primavera. Claro que nunca poderia adivinhar que a mudança fosse tão profunda, completa e global.

Quantos de nós clamamos por tempo nas nossas vidas diárias?! Quantos de nós suspiramos por uma pausa para conseguir respirar do dia-a-dia? Quanto de nós ansiamos por uma quebra da rotina para conseguir recuperar as forças? Quanto de nós vivemos para as pausas das férias para voltar a viver?

Agora paramos todos! Respiramos todos! Para que todos possamos sobreviver a esta crise e para que consigamos encontrar dentro de nós o que verdadeiramente importa, obrigaram-nos a parar!

Como é que vais encarar esta pausa ‘forçada’? Como um incómodo? Como uma chatice de estar fechado em casa há mais de 5 dias? Ou como uma oportunidade para viveres da forma que realmente queres viver? Ou dares-te uma oportunidade de respirar, de equacionar a forma como tudo acontece à tua volta e de como todos nós somos um só, e que só todos juntos conseguimos vencer este desafio?

Ficamos em casa, como forma de olharmos uns pelos outros, de cuidar dos nossos (que são todos), como forma de respeitarmos todos os que por nós trabalham para que aqui possamos estar bem!

Por isso: sorri! Ri! Dança! Canta (por muito que te mandem calar porque desafinas…)! Pede para cantarem contigo! Encara a pausa que sempre pediste como o botão de ‘recomeço’! O Recomeço! É isso… apenas o Recomeço!

red and green tree leaves on a sunny day

Photo by le vy on Pexels.com

Ansiedade ansiosa

A constante roda da vida e do dia-a-dia são bastantes para adicionar stress, e ansiedade à nossa Vida. Quando juntamos a isso uma depressão recorrente e uma mente ansiosa… bem, imaginem lá!

Ou não conseguem imaginar! Porque a maior parte das vezes é-me difícil sequer destrinçar o que vai cá dentro, quanto mais explicar o que é, como se manifesta, a razão pela qual aparece ou como desaparece.

Tenho uma vida “normal”, tal como todo o resto das pessoas à minha volta, mas, por alguma razão, o meu cérebro tem uma tendência para ser ansioso, para ter uma ansiedade latente e permanente.

A vontade de chorar, a tristeza, o exagero das dificuldades, o comer até não haver amanhã, ou a excessiva vontade de fazer coisas com rapidez, de forma frenética, como se estivesse sob o efeito de uma droga qualquer… tudo isso faz parte de um dia-a-dia que quero normal, sem saber o que normal é.

A minha vida não é perfeita, mas consegui atingir coisas que nunca imaginei, ou que imaginava que existiriam apenas reservadas para outras pessoas. Sou feliz, numa grande parte do tempo, na outra a ansiedade toma conta de mim, da minha mente, de tudo à minha volta, e, de repente, tudo se desmonta até ficar em pedaços de mim. Espalhados pela alma e pelo querer ser mais, sem saber o que esse mais é.

“Luto” pela simplicidade, advogo-a, mas tenho uma tendência a complicá-la. Quero simplificar… quero viver em paz dentro de mim e para mim.

white and brown wooden tiles

Photo by Suzy Hazelwood on Pexels.com

Esqueço-me…

Esqueço-me muitas vezes de mim!

Por muitas vitaminas que tome, por toda a medicação que faça, acabo sempre por me esquecer de mim!

A vitamina do amor-próprio é a que mais me faz falta. Amar-me com descanso, amar-me com uma boa alimentação, amar-me com exercício, amar-me com a disponibilidade de dizer não.

Hoje sinto-me completamente assoberbada, presa, ausente, exausta, sem chão, nem caminho.

Respiro para mim a calma possível. Descanso o meu cérebro. Quero parar de pensar, mas nem chego a começar a pensar tal é a dispersão que sinto cá dentro.

Falto-me a mim!

Deixar andar (ou a decisão da indecisão)

Cruz

A vida foi acontecendo, decisões foram tomadas,

mas, na minha indecisão, todas foram resvaladas.

Mas que fazer?

Tudo ou nada perder,

no limbo que a vida se tornou,

o fogo estava presente mas o vento amainou.

E assim se foi passando, do viver ao existir,

embora por dentro queimando mas já sem o sentir.

Deixa a vida andar e vais reparar

que, sem tomares grandes atitudes, sem vicissitudes,

tudo à tua volta há-de mudar.

E assim ao teu lado

mas sem me dar a conhecer..

Era quem foi por ti amado

mas agora não o posso ser.

Até que um dia tudo termina

– aí sabemos que batemos no fundo…

Mas onde há semente, a vida germina,

e um novo ciclo começa no mundo.

Oportunidades (ou como a vida acontece)

000054_1Nunca percas uma oportunidade.

Mas nunca percas uma oportunidade de te fazeres crescer, daquilo que te faz bem, daquilo que te é bom!

Assim, há oportunidades que tens de perder.. aliás, que deves perder! Perde todas as oportunidades daquilo que te diminui, do que te faz ser menos pessoa nesta comunidade de pessoas a que chamamos viver. Perde.. para não te perderes!

E assim, ganhar-te-ás! Pois todas as outras oportunidades se apresentarão diante de ti! Agarra-as, com unhas, com dentes, com esforço, com sangue, com suor, com lágrimas, com força, com tudo o que és.. Para que sejas tudo quanto podes ser.

A vida acontece nestes termos. Há sempre oportunidade de aconteceres. Há sempre oprtunidade de viveres.

ESCREVE-TE

Escreve-te em tudo o que te faz sorrir

Escreve-te nos sonhos mais secretos

Escreve-te na essência do teu Ser

Escreve-te no teu SER

Escreve-te com o coração repleto

Escreve-te em todas as linhas da tua Alma

Escreve-te em todas as coisas que fazem parte de ti

Escreve-te nas lágrimas salgadas e quentes

Escreve-te nos sorrisos que iluminam os teus olhos

Escreve-te em tudo que te faz sorrir

Escreve-te nos devaneios do teu coração

Escreve-te na loucura da tua mente

Escreve-te com a certeza de que ÉS

Escreve-te com a paixão que te domina

Escreve-te nas observações mais demoradas e doces

Escreve-te com toda a luz

Escreve-te com toda a sombra

Escreve-te com todas as cicatrizes que carregas

Escreve-te com todo o Amor que te preenche

Escreve-te em toda a tua Vida

Escreve-te com as palavras doces de um sussurro

Escreve-te com a leveza de uma onda

Escreve-te em toda a tua presença

Escreve-te…

black ball point pen with brown spiral notebook

Photo by Tirachard Kumtanom on Pexels.com

Liberdade e opressão.

Entre os fortes e fracos, entre ricos e pobres, entre senhor e servo é a liberdade que oprime e a lei que liberta.

Henri LacordaireHenri Dominique Lacordaire foi um advogado prodígio, um orador brilhante, um padre liberal, um pedagogo ímpar e tanto mais! Sendo impossível agora debater com este “alumiador” do pensamento, sugere-se que se leiam as suas conferências.

Falta de dinheiro? Entregue-se à luta!

O dinheiro não lhe chega até ao fim do mês? Pare de desejar ter mais sorte. Deixe de culpar o acaso. Mesmo que o destino seja malvado, não serve de nada perder tempo com lamentações.

A solução é entregar-se à luta e até, porque não, gozar a luta!

Em vez de se ver como vítima de injustiça, ou de má sorte, veja-se como alguém em vias de melhoria.

A primeira coisa a fazer é subdividir tudo até ao exequível:

Se quer ter 1000€ a mais no fim ano, o melhor dividir isso em meses e descobrir que só precisa de poupar 84€ por mês. Mas se as contas andam tão apertadas que também isto parece impossível, se calhar 21€ por semana já parece mais possível, ou porque não pôr de lado 3€ por dia! Se dividir o problema em pequenos probleminhas, até conseguirá fazer mais do que o que se propôs inicialmente.

No meu caso (tenho um rendimento acima da média), decidi poupar 15€ por dia (de 2ª a 6ª) e qual não foi o meu espanto, ao fim de um ano, o cobrezito onde guardei religiosamente o 15€ diários tinha quase 4000€!! No fim deste ano terei o carro completamente pago e, para isso apenas tive que deixar de jantar e lanchar fora com tanta frequência!

O plano para o próximo ano é fazer todas as refeições em casa… Serei milionária!! Ou pelo menos pagarei a casa antes de morrer e isso, numa altura em que as dívidas são para se gerir, é notável!

Saber receber

LisboaComo muitos lisboetas cosmopolitas, gosto de ver turistas a apaixonar-se pelo nosso país, mas como muitos outros também fico frequentemente irritado com a presença massiva dos mesmos.

Numa conversa tida há poucos dias no Chiado, com um conhecido cronista e amigo, deparei-me com o dilema que tinha entre as suas posições de esquerda e a opinião real que tinha acerca do que chamou “Invasão de Brasileiros”.

Sendo um “homem de esquerda”, como gosta de retratar-se, a verdade é que tinha sentimentos que ele próprio descrevia como xenófobos para com o brasileiros. Isto acontece porque, segundo ele, em pouco mais de dois meses, houve uma enchente de quadros brasileiros a entrar para empresas portuguesas e, além disto, a quantidade de “portugueses com sotaque” que polulam nos cafés da baixa pombalina é cada mais impressionante.

É importante ter noção de que não existem xenófobos, nem racistas, nem machistas, nem outras coisas que tais. Todos temos tudo isto em nós e o seu oposto também.

Nada disto é especialmente mau, definitivo, ou sequer definidor.

Os actos efectivamente realizados e não o que pensamos fazer, são o que nos define.

Tal como não é traição para um homem casado pensar nas mamas da Pamela Anderson, também não é xenofobia pensar que os estrangeiros estão a ocupar o país.

Saibamos receber, como sempre soubemos, apesar de irritações que deverão ser necessariamente inconsequentes.