I hate my job… and now what?!

Isto de ser adulto acaba por ser um bocadinho chato. Ter responsabilidades, ter contas pagas, viver num certo nível de vida, ter um trabalho certo…

E quando se deixa de gostar do que se faz? E quando ir para o trabalho, ou trabalhar em casa, se torna a parte do dia que menos gostamos e que faz minar todo o resto do dia.

Aí passas a “viver” para os fins-de-semana, feriados, férias… e o tempo vai correndo, saltando, passando ao lado. Ficas perdido na insatisfação diária, no esgotamento, na falta de vontade, na gastrite crónica, na instabilidade do sono, nos antidepressivos que tens de tomar para te sentir equilibrado.

Não nos contaram esta parte quando estávamos a crescer: “Vai, acaba o secundário para ires para a faculdade! Só vais conseguir um bom emprego se tiveres um curso! Acaba o curso! Arranja emprego. Começa já a trabalhar!…” Pronto! E depois? O que é que acontece depois? Já fiz tudo o que me ‘mandaram’: terminei a escola, terminei a faculdade, arranjei emprego. E agora? Como é que se faz isto de “viver”?!

Clareou…

Ninguém gosta de escuridão, ninguém gosta de sombra. Todos queremos que o Sol brilhe sempre no nosso peito e alma, mas não é sempre assim. E como diz o outro, se não tivéssemos a escuridão, não saberíamos aproveitar a Luz.
Hoje o dia clareou um pouco mais o meu coração, depois de sombra ter estado muito presente na última semana. E está tudo bem… hoje!
Hoje não tem de ser igual a ontem, nem há garantias que amanhã será semelhante.
Olhar para trás dói, mas olhar para a frente parece ainda doer mais. Então, de alguma forma, tenho-me permitido vier na dor, sem saber viver aqui e agora.
Não estou curada, não sei se lá chegarei… mas hoje estou bem e consigo colocar em perspectiva a minha alma e aceitar as suas fases… tal como aceito as fases da Lua.
Tudo acontece por uma razão, e tudo está como deve ser. Se não me permito, não consigo viver.
Um dia permiti-me e sorri! E sorrio sempre que me lembro disso, porque se o consegui antes… vou fazê-lo outra vez.
Hoje permito-me…

Tempo de mudança

Já sabia que este iria ser um período de mudança. Quer fosse pela mudança de casa, quer pelo início da Primavera. Claro que nunca poderia adivinhar que a mudança fosse tão profunda, completa e global.

Quantos de nós clamamos por tempo nas nossas vidas diárias?! Quantos de nós suspiramos por uma pausa para conseguir respirar do dia-a-dia? Quanto de nós ansiamos por uma quebra da rotina para conseguir recuperar as forças? Quanto de nós vivemos para as pausas das férias para voltar a viver?

Agora paramos todos! Respiramos todos! Para que todos possamos sobreviver a esta crise e para que consigamos encontrar dentro de nós o que verdadeiramente importa, obrigaram-nos a parar!

Como é que vais encarar esta pausa ‘forçada’? Como um incómodo? Como uma chatice de estar fechado em casa há mais de 5 dias? Ou como uma oportunidade para viveres da forma que realmente queres viver? Ou dares-te uma oportunidade de respirar, de equacionar a forma como tudo acontece à tua volta e de como todos nós somos um só, e que só todos juntos conseguimos vencer este desafio?

Ficamos em casa, como forma de olharmos uns pelos outros, de cuidar dos nossos (que são todos), como forma de respeitarmos todos os que por nós trabalham para que aqui possamos estar bem!

Por isso: sorri! Ri! Dança! Canta (por muito que te mandem calar porque desafinas…)! Pede para cantarem contigo! Encara a pausa que sempre pediste como o botão de ‘recomeço’! O Recomeço! É isso… apenas o Recomeço!

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Ansiedade ansiosa

A constante roda da vida e do dia-a-dia são bastantes para adicionar stress, e ansiedade à nossa Vida. Quando juntamos a isso uma depressão recorrente e uma mente ansiosa… bem, imaginem lá!

Ou não conseguem imaginar! Porque a maior parte das vezes é-me difícil sequer destrinçar o que vai cá dentro, quanto mais explicar o que é, como se manifesta, a razão pela qual aparece ou como desaparece.

Tenho uma vida “normal”, tal como todo o resto das pessoas à minha volta, mas, por alguma razão, o meu cérebro tem uma tendência para ser ansioso, para ter uma ansiedade latente e permanente.

A vontade de chorar, a tristeza, o exagero das dificuldades, o comer até não haver amanhã, ou a excessiva vontade de fazer coisas com rapidez, de forma frenética, como se estivesse sob o efeito de uma droga qualquer… tudo isso faz parte de um dia-a-dia que quero normal, sem saber o que normal é.

A minha vida não é perfeita, mas consegui atingir coisas que nunca imaginei, ou que imaginava que existiriam apenas reservadas para outras pessoas. Sou feliz, numa grande parte do tempo, na outra a ansiedade toma conta de mim, da minha mente, de tudo à minha volta, e, de repente, tudo se desmonta até ficar em pedaços de mim. Espalhados pela alma e pelo querer ser mais, sem saber o que esse mais é.

“Luto” pela simplicidade, advogo-a, mas tenho uma tendência a complicá-la. Quero simplificar… quero viver em paz dentro de mim e para mim.

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Esqueço-me…

Esqueço-me muitas vezes de mim!

Por muitas vitaminas que tome, por toda a medicação que faça, acabo sempre por me esquecer de mim!

A vitamina do amor-próprio é a que mais me faz falta. Amar-me com descanso, amar-me com uma boa alimentação, amar-me com exercício, amar-me com a disponibilidade de dizer não.

Hoje sinto-me completamente assoberbada, presa, ausente, exausta, sem chão, nem caminho.

Respiro para mim a calma possível. Descanso o meu cérebro. Quero parar de pensar, mas nem chego a começar a pensar tal é a dispersão que sinto cá dentro.

Falto-me a mim!

ESCREVE-TE

Escreve-te em tudo o que te faz sorrir

Escreve-te nos sonhos mais secretos

Escreve-te na essência do teu Ser

Escreve-te no teu SER

Escreve-te com o coração repleto

Escreve-te em todas as linhas da tua Alma

Escreve-te em todas as coisas que fazem parte de ti

Escreve-te nas lágrimas salgadas e quentes

Escreve-te nos sorrisos que iluminam os teus olhos

Escreve-te em tudo que te faz sorrir

Escreve-te nos devaneios do teu coração

Escreve-te na loucura da tua mente

Escreve-te com a certeza de que ÉS

Escreve-te com a paixão que te domina

Escreve-te nas observações mais demoradas e doces

Escreve-te com toda a luz

Escreve-te com toda a sombra

Escreve-te com todas as cicatrizes que carregas

Escreve-te com todo o Amor que te preenche

Escreve-te em toda a tua Vida

Escreve-te com as palavras doces de um sussurro

Escreve-te com a leveza de uma onda

Escreve-te em toda a tua presença

Escreve-te…

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Respira

Aquela simples e vital função do nosso corpo! R-E-S-P-I-R-A-R!!

Quantas vezes por dia o fazem conscientemente? Quantas vezes por dia fazem questão de respirar fundo para que o oxigénio chegue a todas as vossas células, a todos os ‘cantos’ dos vossos corpos, das vossas almas?

Não o fazemos vezes suficientes, pois não? O tanto que tomamos por garantido esta função básica e não aproveitamos tudo o que estamos a inspirar: a energia que nos rodeia, a calma de um momento de respiração profunda, o assentar de tudo o que está a acontecer aqui e agora… O renovar de tudo o que se passa cá dentro, o absorver o novo para expirar o que já não faz parte!

Inspirar! Inspiração! A inspiração que devemos ter para viver todos os dias, para sorrir, para conseguir ultrapassar aquela pedra que surge, para aproveitar tudo que nos aparece no caminho, para crescer, para conseguir olhar para tudo com ‘olhos novos’ todos os momentos. Inspiração para crescer um bocadinho todos os dias, para criar, para nos recolhermos, para olhar para o mundo com gratidão e Amor, para cuidar de nós, para cuidar os que amamos, para criar a cada momento o presente da Vida que reconhecemos ser o que merecemos!

E algo tão simples como respirar pode trazer a acalmia de uma tempestade interna, de um tumulto interior, da confusão da nossa mente e do desassossego do coração.

Respira! Pára! Absorve! Contempla! Olha-te com os olhos fechados da alma para conseguires ver mais além…

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Sente…

Permite-te sentir tudo o que tens direito, e tudo que tem de fluir dentro de ti e de dentro de ti.

Abraça os teus sentimentos e não te envergonhes deles, eles fazem parte de ti e são o que te faz também.

Se tem de rir, ri! Se tens de chorar, chora!

Faz a tua parte todos os dias! Crescer com os teus sentimentos, para que eles também cresçam contigo.

Grita, sofre, enerva-te, ri-te, chora, acredita, deixa-te ir, deixa-te ficar, permite-te!

Procura dentro do teu peito, do teu coração, do teu ser o que te faz! Não te envergonhes do teu sentir, de ser quem és, de não saberes quem és, ou de ainda te estares a descobrir. Não tens de ser quem sempre pensaste que eras: podes mudar, podes ter dúvidas, podes queres algo diferente para ti e tens o direito de saber e admitir que não sabes para onde queres ir, ou qual é o caminho mais certo ou indicado para ti. Não há um caminho certo para seguires, nada está definido, e, ao mesmo tempo, há uma definição em ti que ainda não te deste conta. Isso sim é o certo: saber que não tens de saber, saber que não tens de ter todas as respostas e nem sequer tens de saber quais são as perguntas.

O certo vem até ti, de alguma forma, da forma que tem de ser. Com amor em ti e por ti! Com a certeza de que te podes permitir a ser quem és, mesmo não sabendo quem és. Sente! Sente-te! Permite-te sentir, permite-te crescer, porque até quando te sentes menina e pequena podes ter a certeza de que o espaço está aberto dentro de ti para cresceres da forma que a tua alma mais precisa. Sente-te!

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Da importância de estar aqui…

É tão simples escapar para o ‘outro lado’ e deixar a realidade de parte. É tão simples sermos alheios ao que se passa à nossa volta e dentro de nós. É tão simples ‘fugir’ de tudo quanto nos parece levar para ao confronto com a realidade.

Será essa mesmo a simplicidade que queremos na nossa vida?! Será que nos queremos manter à tona de tudo e de todos para não lidarmos com as nossas ‘profundezas’? Queremos mesmo viver à superfície do que sentimos, dos afectos, do amor, do carinho, da amizade, dos relacionamentos, dos sonhos, das realizações, da realidade da vida que passa por nós todos os dias? Vamos escolher vivê-la ou olhar para ela de lado, deixando-na passar à velocidade de cruzeiro?

Queremos estar aqui, estar presentes (e no presente), viver com a simplicidade de saber existir com tudo e com todos, sem fugas para trás, para os lados e para a frente. A simplicidade de estarmos juntos com a vida em todos os momentos, mesmo naqueles em que preferimos sair dela para deixar as tempestades passar… porque elas passam!

Estar aqui neste momento… e só neste momento! Neste presente! Com tudo o que nos rodeia e faz parte de nós… seja o passado, seja a perspectiva que temos do futuro! Sem expectativas, com a presença de espírito suficiente para vivermos cada dia com o que é nosso e para nós, e do que passa de nós para os outros, e do que recebemos de cada ser que passa na nossa vida.

Um lugar, uma situação, uma pessoa, um sentimento, um sorriso, uma palavra, uma acção, um presente, uma vivência, um caminho, um abraço… um Presente! Um Aqui e Agora! Uma vida vivida com instantes de inconstância.

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