Turismo (ou identidades a desaparecer)

Porto1O ser humano sente-se impelido a viajar.

Gostamos de ter a nossa terra, a nossa casa, as nossas raízes..  mas também gostamos de conhecer novas paragens, outros lugares, diferentes culturas, que nos permitem crescer e sonhar.

Assim, ao partir para determinado local, procuramos o que é típico e tradicional. O que é original de determinada zona. Os seus costumes, as expressões do seu povo, o seu modo de interagir, viver, ser. Deste modo podemos crescer conscientes da variedade pluricultural do mundo e redescobrir-mo-nos em cada instante.

Em Portugal, nada é mais típico que o Porto. A origem do nome da pátria está enraizado no nome da invicta, o sotaque invoca os primórdios da nossa língua e a localização faz a transposição entre a nossa “ruralidade” e “globalidade” através do Douro até ao mar.

Toda a gente fala que o Porto tem a sua própria identidade.

Mas de onde vem essa identidade?

Esta pergunta vem no seguimento da notícia de que a cidade do Porto está entre os paraísos que os turistas estão a destruir.

É mais que visível que o Porto é uma cidade em transformação. Toda a zona do Porto e do Norte tem sentido, de alguns anos a esta parte, um aumento do investimento nas mais variadas atracções turísticas. Isto é mais evidente dentro da cidade do Porto. Aí, o que era pitoresco e original está a ser invadido pela massificação turística.

Não sou saudosista, considero o Porto agora muito mais seguro, limpo, avançado. Contudo, a pressão imobiliária e turística que se sente leva à existência de abusos sociais e à desertificação de habitantes. Mas tudo tem vários pontos de vista e, embora rendas de 1000€ sejam incomportáveis para a maioria dos portugueses, rendas de 25€ também o são para proprietários de imóveis. E se uns têm o dever de arranjar a sua propriedade, os outros também deviam ter de estimar a sua habitação e pagar um preço justo por ela, ou seja, garantindo os direitos quer dos proprietários quer dos arrendatários. Sem que houvesse especulação imobiliária.

Se me perguntarem da minha cidade, respondo que o Porto está na moda. Que apesar de parecer invadida por turistas, dos aumentos exorbitantes do preço de alguns bens e de já não se ouvir tanto o “portuense”, soube redefinir-se como destino estimado e amado além fronteiras.

E sendo assim, a identidade é algo que se constrói, não sendo imutável. O Porto mantém a sua identidade amadurecendo-a.

Afinal, o Porto é só uma imagem do que é SER português.

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