Falta de dinheiro? Entregue-se à luta!

O dinheiro não lhe chega até ao fim do mês? Pare de desejar ter mais sorte. Deixe de culpar o acaso. Mesmo que o destino seja malvado, não serve de nada perder tempo com lamentações.

A solução é entregar-se à luta e até, porque não, gozar a luta!

Em vez de se ver como vítima de injustiça, ou de má sorte, veja-se como alguém em vias de melhoria.

A primeira coisa a fazer é subdividir tudo até ao exequível:

Se quer ter 1000€ a mais no fim ano, o melhor dividir isso em meses e descobrir que só precisa de poupar 84€ por mês. Mas se as contas andam tão apertadas que também isto parece impossível, se calhar 21€ por semana já parece mais possível, ou porque não pôr de lado 3€ por dia! Se dividir o problema em pequenos probleminhas, até conseguirá fazer mais do que o que se propôs inicialmente.

No meu caso (tenho um rendimento acima da média), decidi poupar 15€ por dia (de 2ª a 6ª) e qual não foi o meu espanto, ao fim de um ano, o cobrezito onde guardei religiosamente o 15€ diários tinha quase 4000€!! No fim deste ano terei o carro completamente pago e, para isso apenas tive que deixar de jantar e lanchar fora com tanta frequência!

O plano para o próximo ano é fazer todas as refeições em casa… Serei milionária!! Ou pelo menos pagarei a casa antes de morrer e isso, numa altura em que as dívidas são para se gerir, é notável!

Saber receber

LisboaComo muitos lisboetas cosmopolitas, gosto de ver turistas a apaixonar-se pelo nosso país, mas como muitos outros também fico frequentemente irritado com a presença massiva dos mesmos.

Numa conversa tida há poucos dias no Chiado, com um conhecido cronista e amigo, deparei-me com o dilema que tinha entre as suas posições de esquerda e a opinião real que tinha acerca do que chamou “Invasão de Brasileiros”.

Sendo um “homem de esquerda”, como gosta de retratar-se, a verdade é que tinha sentimentos que ele próprio descrevia como xenófobos para com o brasileiros. Isto acontece porque, segundo ele, em pouco mais de dois meses, houve uma enchente de quadros brasileiros a entrar para empresas portuguesas e, além disto, a quantidade de “portugueses com sotaque” que polulam nos cafés da baixa pombalina é cada mais impressionante.

É importante ter noção de que não existem xenófobos, nem racistas, nem machistas, nem outras coisas que tais. Todos temos tudo isto em nós e o seu oposto também.

Nada disto é especialmente mau, definitivo, ou sequer definidor.

Os actos efectivamente realizados e não o que pensamos fazer, são o que nos define.

Tal como não é traição para um homem casado pensar nas mamas da Pamela Anderson, também não é xenofobia pensar que os estrangeiros estão a ocupar o país.

Saibamos receber, como sempre soubemos, apesar de irritações que deverão ser necessariamente inconsequentes.

Valores

Hoje, em jeito de balanço, um alto funcionário de uma empresa de recrutamento, enquanto fazia o balanço do ano, vangloriava-se de ter contratado meio-milhar de pessoas, que colocou nas mais diversas posições.
A especialização é talvez o motor para que tudo seja feito com maior eficácia, mas será provavelmente também a razão para a quantidade impressionante de inutilidade que resulta de toda essa eficácia.

As empresas contratam empresas para recrutarem os seus trabalhadores, contratam empresas para fazer a limpeza, contratam empresas para levar água, para servir café, para limpar vidros, para fazer contabilidade, para desentupir canos, pôr óleo em dobradiças.

Enquanto a única coisa que importa a um CEO for fazer crescer lucros, não vamos conseguir ganhar como sociedade.
O dinheiro tem função, mas não valor em si próprio.
Empresas de fazer dinheiro, não têm qualquer valor, a não ser que os valores das pessoas se resumam a dinheiro.

Herança

Qualquer governo decente deve ter procupações com um horizonte temporal de pelo menos 3 gerações.
Quando se faz algo a pensar no futuro devemos pensar no que deixamos aos netos dos nossos netos.

MãoVaziaIsto não significa que se deve sacrificar o presente em benefício do futuro, significa apenas que não se poderá fazer o contrário. Os benefícios e prejuízos deverão ser distribuídos pelas gerações.

Vivemos numa época de liberdades individuais e, talvez por isso, tendemos a pensar pouco num futuro com horizonte superior à nossa esperança de vida.

Temos pensar honestamente nos recursos que utilizamos e na forma como os repomos. O nosso saldo não termina nem começa com a nossa vida. A nossa situação deve-se em grande parte às circunstâncias anteriores, independentemente de serem boas ou não. Assim, será apenas natural perceber que o que deixamos influenciará os que ficam para sempre.

Decência parlamentar

Rui Rio, líder do PSD, já foi promessa de seriedade e, mesmo que apenas por alguns momentos, parecia que iria pôr princípios à frente da partidarite. Claro que isso foi ingenuidade, nunca seria possível chegar a líder de um partido de poder sem ter que ceder à corrupção inerente.

Luís Miguel Caçapa

Tiros, perseguição policial e álcool. A noite louca de um deputado do PSD-Madeira.

Ainda assim pede-se que haja pelo menos aparência de decência. O que é que Rui Rio está à espera para condenar este comportamento?


A ser verdade, a notícia de Márcio Berenguer no Público, então o deputado Luís Miguel Calaça já devia ter esclarecido o assunto e, porque não, assumir a sua estupidez.

No dia em que os deputados se comportem como indivíduos com deveres morais e sociais acima da média, poderão assumir os seus erros e ganhar crédito com isso. Até lá exijamos um mínimo de decência; não muita, só o mínimo.

Jornalismo (ou dormir)

22 Novembro 2017. (Patrícia de Melo Moreira/AFP/Getty Images)

O presidente de Cabo Verde (o paraíso na terra) esteve em Portugal e participou, juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa, numa acção de voluntariado no Banco Alimentar.

Se Donald Trump soltar um gás, os telejornais abrem de imediato com repórteres em directo para avaliar o impacto ambiental da bufa presidencial. Como a economia de Cabo Verde é irrelevante quando comparada com a de outros colossos mundiais, acha-se que alguém que fez mais pela justiça e democracia de vários países (Cabo Verde, Portugal, Timor-Leste) e que têm ainda a humildade de ir “ajudar” um presidente amigo a promover uma causa social que aparentemente lhe seria completamente alheia, não tem importância suficiente para figurar nem em nota de rodapé.

Esperemos que tenha sido distracção minha.

Amor Electro – #4

A canção “Procura por mim” é o ponto alto do novo álbum – #4 – dos Amor Electro. mas quem gosta especialmente deste tema deve espreitar o tema que encerra o álbum “O nosso amor é uma canção” (colaboração com Fernando Tordo).

Sendo que o Amor Electro nunca fazem álbuns “mainstream”, será difícil que esta seja uma banda para todos os públicos. Apesar do carisma e capacidade interpretativa impressionantes de Marisa Liz, a forma não-ortodoxa do som electrónico que caracteriza a banda, coloca sempre algumas barreiras ao ouvido menos dado a escolhas estéticas arrojadas. Exemplo disso é o “De candeias às avessas” que passará despercebido, mas que uma versão futura (talvez mais simplificada) poderá tornar numa melodia orelhuda.

A única verdadeira crítica a fazer será talvez aos finais de quase todas as canções, que parecem abruptos, mas uma vez mais parece ser uma característica conceptual de um álbum que não busca a popularidade per se.