Liberdades Oprimidas

Na liberdade de quando nasceste
Foste logo oprimido,
E desde logo soubeste
Que este mundo é fingido.

Dizem-te que tens toda a liberdade
E podes fazer tudo que te apeteça!
Mas isso só é verdade
Desde que com com eles isso se pareça.

“Podes dizer o que quiseres
Se a tua filosofia for como a nossa”
És livre para andar no rebanho
Se a tua voz não fizer muita mossa.

Por isso andas calado
As tuas expressões são contidas.
Cuidado, não ofendas os demais…
Tens as tuas liberdades oprimidas.

Vai daí que… (ou as certezas do não saber)

000019_1Cada vez mais se valoriza opiniões que afinal não o são. Ideias ou ideologias sem ideia nenhuma vão servindo de alimento ao ego das massas. As pessoas só ouvem o que lhes interessa e, pelo que se vê, pouco ou nada lhes interessa.

E assim vamos andando neste novo normal, que de normal pouco ou nada tem.

E são certezas que mudam todos os dias.

Uma vez li que só pode mudar de opinião alguém que tem opinião. Mas de onde vem essa opinião? Vai daí que vamos andando com quem não quer a coisa, reclamando por ter e não ter, por ser e não ser… afinal vamos andando sendo pessoas.

Abençoada ignorância, que onde quem tem um saber, é rei.

I hate my job… and now what?!

Isto de ser adulto acaba por ser um bocadinho chato. Ter responsabilidades, ter contas pagas, viver num certo nível de vida, ter um trabalho certo…

E quando se deixa de gostar do que se faz? E quando ir para o trabalho, ou trabalhar em casa, se torna a parte do dia que menos gostamos e que faz minar todo o resto do dia.

Aí passas a “viver” para os fins-de-semana, feriados, férias… e o tempo vai correndo, saltando, passando ao lado. Ficas perdido na insatisfação diária, no esgotamento, na falta de vontade, na gastrite crónica, na instabilidade do sono, nos antidepressivos que tens de tomar para te sentir equilibrado.

Não nos contaram esta parte quando estávamos a crescer: “Vai, acaba o secundário para ires para a faculdade! Só vais conseguir um bom emprego se tiveres um curso! Acaba o curso! Arranja emprego. Começa já a trabalhar!…” Pronto! E depois? O que é que acontece depois? Já fiz tudo o que me ‘mandaram’: terminei a escola, terminei a faculdade, arranjei emprego. E agora? Como é que se faz isto de “viver”?!

Clareou…

Ninguém gosta de escuridão, ninguém gosta de sombra. Todos queremos que o Sol brilhe sempre no nosso peito e alma, mas não é sempre assim. E como diz o outro, se não tivéssemos a escuridão, não saberíamos aproveitar a Luz.
Hoje o dia clareou um pouco mais o meu coração, depois de sombra ter estado muito presente na última semana. E está tudo bem… hoje!
Hoje não tem de ser igual a ontem, nem há garantias que amanhã será semelhante.
Olhar para trás dói, mas olhar para a frente parece ainda doer mais. Então, de alguma forma, tenho-me permitido vier na dor, sem saber viver aqui e agora.
Não estou curada, não sei se lá chegarei… mas hoje estou bem e consigo colocar em perspectiva a minha alma e aceitar as suas fases… tal como aceito as fases da Lua.
Tudo acontece por uma razão, e tudo está como deve ser. Se não me permito, não consigo viver.
Um dia permiti-me e sorri! E sorrio sempre que me lembro disso, porque se o consegui antes… vou fazê-lo outra vez.
Hoje permito-me…

Tempo de mudança

Já sabia que este iria ser um período de mudança. Quer fosse pela mudança de casa, quer pelo início da Primavera. Claro que nunca poderia adivinhar que a mudança fosse tão profunda, completa e global.

Quantos de nós clamamos por tempo nas nossas vidas diárias?! Quantos de nós suspiramos por uma pausa para conseguir respirar do dia-a-dia? Quanto de nós ansiamos por uma quebra da rotina para conseguir recuperar as forças? Quanto de nós vivemos para as pausas das férias para voltar a viver?

Agora paramos todos! Respiramos todos! Para que todos possamos sobreviver a esta crise e para que consigamos encontrar dentro de nós o que verdadeiramente importa, obrigaram-nos a parar!

Como é que vais encarar esta pausa ‘forçada’? Como um incómodo? Como uma chatice de estar fechado em casa há mais de 5 dias? Ou como uma oportunidade para viveres da forma que realmente queres viver? Ou dares-te uma oportunidade de respirar, de equacionar a forma como tudo acontece à tua volta e de como todos nós somos um só, e que só todos juntos conseguimos vencer este desafio?

Ficamos em casa, como forma de olharmos uns pelos outros, de cuidar dos nossos (que são todos), como forma de respeitarmos todos os que por nós trabalham para que aqui possamos estar bem!

Por isso: sorri! Ri! Dança! Canta (por muito que te mandem calar porque desafinas…)! Pede para cantarem contigo! Encara a pausa que sempre pediste como o botão de ‘recomeço’! O Recomeço! É isso… apenas o Recomeço!

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Ansiedade ansiosa

A constante roda da vida e do dia-a-dia são bastantes para adicionar stress, e ansiedade à nossa Vida. Quando juntamos a isso uma depressão recorrente e uma mente ansiosa… bem, imaginem lá!

Ou não conseguem imaginar! Porque a maior parte das vezes é-me difícil sequer destrinçar o que vai cá dentro, quanto mais explicar o que é, como se manifesta, a razão pela qual aparece ou como desaparece.

Tenho uma vida “normal”, tal como todo o resto das pessoas à minha volta, mas, por alguma razão, o meu cérebro tem uma tendência para ser ansioso, para ter uma ansiedade latente e permanente.

A vontade de chorar, a tristeza, o exagero das dificuldades, o comer até não haver amanhã, ou a excessiva vontade de fazer coisas com rapidez, de forma frenética, como se estivesse sob o efeito de uma droga qualquer… tudo isso faz parte de um dia-a-dia que quero normal, sem saber o que normal é.

A minha vida não é perfeita, mas consegui atingir coisas que nunca imaginei, ou que imaginava que existiriam apenas reservadas para outras pessoas. Sou feliz, numa grande parte do tempo, na outra a ansiedade toma conta de mim, da minha mente, de tudo à minha volta, e, de repente, tudo se desmonta até ficar em pedaços de mim. Espalhados pela alma e pelo querer ser mais, sem saber o que esse mais é.

“Luto” pela simplicidade, advogo-a, mas tenho uma tendência a complicá-la. Quero simplificar… quero viver em paz dentro de mim e para mim.

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Esqueço-me…

Esqueço-me muitas vezes de mim!

Por muitas vitaminas que tome, por toda a medicação que faça, acabo sempre por me esquecer de mim!

A vitamina do amor-próprio é a que mais me faz falta. Amar-me com descanso, amar-me com uma boa alimentação, amar-me com exercício, amar-me com a disponibilidade de dizer não.

Hoje sinto-me completamente assoberbada, presa, ausente, exausta, sem chão, nem caminho.

Respiro para mim a calma possível. Descanso o meu cérebro. Quero parar de pensar, mas nem chego a começar a pensar tal é a dispersão que sinto cá dentro.

Falto-me a mim!

Deixar andar (ou a decisão da indecisão)

Cruz

A vida foi acontecendo, decisões foram tomadas,

mas, na minha indecisão, todas foram resvaladas.

Mas que fazer?

Tudo ou nada perder,

no limbo que a vida se tornou,

o fogo estava presente mas o vento amainou.

E assim se foi passando, do viver ao existir,

embora por dentro queimando mas já sem o sentir.

Deixa a vida andar e vais reparar

que, sem tomares grandes atitudes, sem vicissitudes,

tudo à tua volta há-de mudar.

E assim ao teu lado

mas sem me dar a conhecer..

Era quem foi por ti amado

mas agora não o posso ser.

Até que um dia tudo termina

– aí sabemos que batemos no fundo…

Mas onde há semente, a vida germina,

e um novo ciclo começa no mundo.

Oportunidades (ou como a vida acontece)

000054_1Nunca percas uma oportunidade.

Mas nunca percas uma oportunidade de te fazeres crescer, daquilo que te faz bem, daquilo que te é bom!

Assim, há oportunidades que tens de perder.. aliás, que deves perder! Perde todas as oportunidades daquilo que te diminui, do que te faz ser menos pessoa nesta comunidade de pessoas a que chamamos viver. Perde.. para não te perderes!

E assim, ganhar-te-ás! Pois todas as outras oportunidades se apresentarão diante de ti! Agarra-as, com unhas, com dentes, com esforço, com sangue, com suor, com lágrimas, com força, com tudo o que és.. Para que sejas tudo quanto podes ser.

A vida acontece nestes termos. Há sempre oportunidade de aconteceres. Há sempre oprtunidade de viveres.

ESCREVE-TE

Escreve-te em tudo o que te faz sorrir

Escreve-te nos sonhos mais secretos

Escreve-te na essência do teu Ser

Escreve-te no teu SER

Escreve-te com o coração repleto

Escreve-te em todas as linhas da tua Alma

Escreve-te em todas as coisas que fazem parte de ti

Escreve-te nas lágrimas salgadas e quentes

Escreve-te nos sorrisos que iluminam os teus olhos

Escreve-te em tudo que te faz sorrir

Escreve-te nos devaneios do teu coração

Escreve-te na loucura da tua mente

Escreve-te com a certeza de que ÉS

Escreve-te com a paixão que te domina

Escreve-te nas observações mais demoradas e doces

Escreve-te com toda a luz

Escreve-te com toda a sombra

Escreve-te com todas as cicatrizes que carregas

Escreve-te com todo o Amor que te preenche

Escreve-te em toda a tua Vida

Escreve-te com as palavras doces de um sussurro

Escreve-te com a leveza de uma onda

Escreve-te em toda a tua presença

Escreve-te…

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