PSD e Centro

Continua a parecer estranho, para alguns analistas políticos, que Rui Rio, líder do PSD, diga que o partido não é de direita.
Pondo de parte que essa classificação é totalmente desadequada e ocultista, convém lembrar que PSD quer dizer Partido Social Democrata; Será de esperar que este partido seja outra coisa que não “Social-Democrata”?
Ser “Social-Democrata” não significa ser socialista, nem significa ser liberal; é estar no meio, exactamente aí, onde está a virtude.
Os estratégias dizem que o PSD tem que ir mais para a direita, porque é aí que está “o seu espaço natural” e é aí que se estão a formar radicalismos que precisam de ser combatidos. Não é. O PSD deve ficar exactamente no meio, mesmo que, aparentemente esse espaço esteja já ocupado.
Há mil razões para o PSD dever ficar no centro, não só porque é essa a política certa, mas porque é essa a sua matriz e, ao contrário do que podem dizer analistas, opinadores ou outros actores políticos, não deveriam ser as sondagens a decidir programas. Os partidos devem ter programas e ideologias coerentes, mesmo que isso implique perder eleições, porque se os partidos servem apenas para chegar ao poder, mesmo que sem noção do que fazer com esse poder, então não servem para nada.

Passaporte de vacinação

Há uma ideia nalgumas mentes europeias sobre criar um passaporte de vacinação. Seria uma espécie de atestado de vacinação, que permitiria aos seus portadores viajar.
Não pondo em causa os eventuais méritos desta solução, há problemas que não podem ser ignorados.
A única forma de descriminar com justiça os “vacinados” dos “não-vacinados” seria garantindo que todos teriam oportunidade de ser vacinados.
Alguns dirão que isso é impossível porque não há capacidade para produzir tantas vacinas em pouco tempo. Mas isso é uma escolha. É facílimo produzir muito mais vacinas, muito mais depressa.
Implicaria partilhar fórmulas e meios de produção, mexer em patentes e propriedade intelectual de empresas, mas seria possível.
É uma escolha e é bom que se assuma.
É legal? Sim.
É decente?

Incertezas (ou possíveis possibilidades)

Deparei-me hoje com uma frase antiga:

Tudo é possível na incerteza das possibilidades“.

Escrita num contexto diferente, numa época diferente, mas que cada vez mais me traz a certeza da incerteza, mas também das possibilidades que que isso traz.
Com o tempo vamos mudando, dirão os eruditos que vamos crescendo “em sabedoria e graça”, que vemos o mundo com os olhos dos adultos.. e aqui existem duas possibilidades que se destacam pelos extremos: ou se acredita que todas as possibilidades poderão ser boas, ou se acreditas que todas as possibilidades poderão ser más. A primeira, própria dos sonhadores, das crianças e dos inocentes, a segunda, própria dos cínicos, dos “velhos do Restelo” e dos deprimidos.

E eis que surge a pergunta: “E tu, onde te encontras?”

Fácil: a vagar entre elas, onde “tudo é possível na incerteza das possibilidades”!

Ventura Trump

Quando escrevo esta crónica não sei ainda quem ganhou as eleições nos estados unidos.
Mas sei que nas próximas eleições presidenciais em Portugal, André Ventura terá um resultado muito, mas muito significativo.
Conheço pessoas que votarão nele e, quem sabe, votarão no seu partido – o Chega – nas legislativas que virão a seguir.
As pessoas que votarão nesse fala-barato são as mesmas que votariam Trump. Não são menos inteligentes, nem menos cultas do que quaisquer outros eleitores.
Simplesmente recusam-se a ouvir contra-argumentos, como os fanáticos de clube de futebol ou religião; recusando quaisquer discussões acerca de deméritos que possam ter.
A única maneira que existe de combater isto (e terá que ser feito), será compreendendo estas pessoas.
Trump, Ventura e os seus apoiantes devem ser tratados como crianças, é preciso descer do pedestal da razão e perceber os seus anseios para, só depois, lhes explicar outros pontos de vista, com a mesma paciência e esperança com que se ensina um bebé.

A lógica explica muito pouco, a empatia explica muito mais; a prova disto é que nos parecem parvos os que acreditam que a Terra é plana, mas parecem bondosos os que acreditam em Deus.

Trumpoia

Houve uma tentativa de “golpe de estado” no Michigan (Estados Unidos).
Há quem ache que Trump é um ditador em potência, esquecendo que nunca nenhum ditador se tornou nisso de um dia para o outro.
Trump já é um ditador. É bom que seja também um ditador frustado.

Donald_Trump_is_hitlerForam presas pessoas por conspirarem contra a vida da senadora do Michigan incentivadas pelo presidente/ditador do país.
Felizmente, desta vez, o ataque que estava planeado – consistindo num ataque de 200 homens ao capitólio da cidade – não sucedeu.

Trump – o incendiário, depois do incidente, veio atacar a Governadora Gretchen Whitmer, dizendo que foi “o meu departamento de justiça” que prendeu os conspiradores.
Mas continua-se a achar que o homem é só um narcisista inconsequente.

Há milhentos especialistas que sabem qual é a maneira certa de lidar com Trump; eu não.
Faria o que a consideração que tenho a algo tão fedegoso permitiria: descarregar o autoclismo.

Cidadania e disciplinas

A ideia de que podemos educar as nossas crianças sem influência externa, além de perigosa é ingénua.
Um filho não é propriedade dos pais. É sua responsabilidade, mas também da comunidade. Ambos devem influenciar a criança no sentido que pareça positivo.
O facto de se discordar dos conteúdos de uma disciplina não é, nem pode ser, razão para se negar à criança a frequência dessa disciplina. Será, isso sim, motivo para que, quando essa criança chega a casa, sejam discutidos os conteúdos das aulas e os seus méritos.
Não é por ignorarmos algo, que deixa de existir. Temos que conhecer para poder enfrentar.
A obrigação do estado para com todas as crianças é certificar-se que todas cumprem a escolaridade mínima obrigatória, mesmo que para isso tenha que recorrer à repugnante retirada dos filhos aos seus pais.
Isto deve aplicar-se aos ciganos, mesmo que desrespeite as suas “tradições”, bem como aos que possam ter “objeções de consciência”, simplesmente porque a lei e os direitos das crianças são muito mais importantes do que quaisquer parvoíces individualistas.

Lobbies

Primeiro-Ministro
António Costa

O primeiro-ministro de Portugal faz parte da comissão de honra do candidato à presidência (e atual presidente) de um clube de futebol.
Não importa se esse candidato é arguido em vários processos – na minha opinião, há culpa nos culpados, não nos acusados.
Importa sim que um dos maiores cargos da nação, não esteja ao serviço de quaisquer interesses privados.

Na nossa sociedade é visto como natural o facto de alguém “ser de um clube” e portanto os nossos governantes podem ser vistos com frequência nos estádios dos seus clubes, com toda a naturalidade.
Apesar de, ser discutível a sanidade de um indivíduo “ser de um clube”, parece-me óbvio que o estado não pode “ser de um clube”, ou de uma modalidade, de um distrito ou sequer de uma religião. E no entanto quantas vezes se viram membros do governo num jogo do Estrela de Portalegre, ou numa “missa” da IURD, ou num qualquer jogo de Volleyball, ou a trabalhar em Bragança?

Todos temos falhas, mas quando se ostentam as falhas, como se fossem motivo de orgulho, há alguma coisa de muito errado.

Liberdades Oprimidas

Na liberdade de quando nasceste
Foste logo oprimido,
E desde logo soubeste
Que este mundo é fingido.

Dizem-te que tens toda a liberdade
E podes fazer tudo que te apeteça!
Mas isso só é verdade
Desde que com com eles isso se pareça.

“Podes dizer o que quiseres
Se a tua filosofia for como a nossa”
És livre para andar no rebanho
Se a tua voz não fizer muita mossa.

Por isso andas calado
As tuas expressões são contidas.
Cuidado, não ofendas os demais…
Tens as tuas liberdades oprimidas.

Vai daí que… (ou as certezas do não saber)

000019_1Cada vez mais se valoriza opiniões que afinal não o são. Ideias ou ideologias sem ideia nenhuma vão servindo de alimento ao ego das massas. As pessoas só ouvem o que lhes interessa e, pelo que se vê, pouco ou nada lhes interessa.

E assim vamos andando neste novo normal, que de normal pouco ou nada tem.

E são certezas que mudam todos os dias.

Uma vez li que só pode mudar de opinião alguém que tem opinião. Mas de onde vem essa opinião? Vai daí que vamos andando com quem não quer a coisa, reclamando por ter e não ter, por ser e não ser… afinal vamos andando sendo pessoas.

Abençoada ignorância, que onde quem tem um saber, é rei.

I hate my job… and now what?!

Isto de ser adulto acaba por ser um bocadinho chato. Ter responsabilidades, ter contas pagas, viver num certo nível de vida, ter um trabalho certo…

E quando se deixa de gostar do que se faz? E quando ir para o trabalho, ou trabalhar em casa, se torna a parte do dia que menos gostamos e que faz minar todo o resto do dia.

Aí passas a “viver” para os fins-de-semana, feriados, férias… e o tempo vai correndo, saltando, passando ao lado. Ficas perdido na insatisfação diária, no esgotamento, na falta de vontade, na gastrite crónica, na instabilidade do sono, nos antidepressivos que tens de tomar para te sentir equilibrado.

Não nos contaram esta parte quando estávamos a crescer: “Vai, acaba o secundário para ires para a faculdade! Só vais conseguir um bom emprego se tiveres um curso! Acaba o curso! Arranja emprego. Começa já a trabalhar!…” Pronto! E depois? O que é que acontece depois? Já fiz tudo o que me ‘mandaram’: terminei a escola, terminei a faculdade, arranjei emprego. E agora? Como é que se faz isto de “viver”?!